segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O VASO

 DE PORCELANA e 
A ROSA




O Grande Mestre e o Guardião dividiam a administração de um mosteiro zen. 

Certo dia, o Guardião morreu e foi preciso substituí-lo. 

O Grande Mestre reuniu todos os discípulos para escolher quem teria a honra de trabalhar diretamente ao seu lado.

“Vou apresentar um problema”, disse o Grande Mestre. 

“E aquele que o resolver primeiro, será o novo Guardião do templo”.

Terminado o seu curtíssimo discurso, colocou um banquinho no centro da sala. 

Em cima estava um vaso de porcelana caríssimo, com uma rosa vermelha a enfeitá-lo. 

“Eis o problema”, disse o Grande Mestre.

Os discípulos contemplavam perplexos, o que viam: 

Os desenhos sofisticados e raros da porcelana, a frescura e a elegância da flor. 

O que representava aquilo? O que fazer? Qual seria o enigma?

Depois de alguns minutos, um dos discípulos levantou-se, olhou o mestre e os alunos a sua volta. 

Depois, caminhou resolutamente até o vaso, e atirou-o no chão, destruindo-o.

“Você é o novo Guardião”, disse o Grande Mestre para o aluno. 

Assim que ele voltou ao seu lugar, explicou: 

“Eu fui bem claro: disse que vocês estavam diante de um problema"

Não importa quão belo e fascinante seja um problema tem que ser eliminado.

Um problema é um problema; pode ser um vaso de porcelana muito raro, um lindo amor que já não faz mais sentido, um caminho que precisa ser abandonado – mas que insistimos em percorrê-lo porque nos traz conforto, disse. 

Só existe uma maneira de lidar com um problema: atacando-o de frente”.

Nessas horas, não se pode ter piedade, nem ser tentado pelo lado fascinante que qualquer conflito carrega consigo”.




 Eliane de Pádua

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