segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ano 2.030

Aniquilamento dos Professores


No ano de 2.030, uma conversa entre a avó Eliane e sua neta Janaína, tem início a partir da seguinte interpelação:

– Vovó, por que o mundo está acabando?




– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.




– Professores? 
Mas o que é isso? 
O que fazia um professor?





- Professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.

– Eles ensinavam tudo isso? 
Mas eles eram sábios?




Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.

E como foi que eles desapareceram, vovó?




– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. 
A vovó não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito.  
Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação.  
Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados.  
Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.  
Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos.  
Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha” 
Isso quando não ia os próprios pais gritar com os professores nas escolas.  
Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”.  
Os professores eram vítimas da violência – física verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos.  
Eles viraram saco de pancadas de todo mundo.  
Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarravam na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse.  
“Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas.  
E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular.  
E lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de ideias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas.

- Mas vovó, e a Internet?




Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.

Em seguida, os professores foram desmoralizados.

Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão.

Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor.


As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, pagodeiros, agiotas, traficantes, artistas de novelas da televisão, enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

- Mas vovó Eliane, e o que a senhora diz sobre os professores?


Janaína netinha querida, o que seria do maior de todos os seres se não existisse o professor, onde estariam os médicos, engenheiros, diplomatas, enfim se não pudesse contar com a sua atuação? 

Realmente, a intenção deles é e sempre será construir um mundo melhor, com amor!


Ser professor é entrar cansado numa sala de aula e diante da reação da turma, transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender...

Ser professor é importar-se com o outro numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara que necessita de atenção, amor e cuidado.

Ser professor é ter a capacidade de "sair de cena, sem sair do espetáculo".

Ser professor é apontar caminhos, mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés.

Penso que esta é a oportunidade ideal para agradecer por tudo aquilo que “professor” faz por todos, por tudo o que nos ensinaram em aula e, também, por tudo de bom que a sua postura séria, honesta e ética sugere a todos nós. 

Acredito que a sua vida seja bastante complicada, com tantas coisas a ensinar...


Que Deus em Sua infinita Bondade
conceda a cada um, condição necessária,
 para cumprir sua missão 
nessa grande nave que a Terra...

A grande escola da humanidade!

Eliane de Pádua



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