sábado, 3 de agosto de 2013

Não ofereça sabedoria

A quem só pode pagar com ignorância.





Um rato saiu de manhã para trabalhar 



e no caminho cruzou com um caracol.

Muitas horas depois, após um dia exaustivo em que teve que batalhar arduamente para caçar sua comida e escapar de seus predadores, o rato retornou exausto.

E notou que o caracol não havia se movido mais que dois metros.

O rato parou e comentou que se sentia compadecido pelo fato de o caracol ter uma vida tão monótona, tão sem emoções, enquanto ele, rato, conseguira viver, em apenas um dia, aventuras que o caracol não viveria em toda a existência.

Emérito rato”, disse o caracol,

“Como tenho bastante tempo para observar e refletir permita-me oferecer-lhe alguns dados comparativos entre nossas espécies, que talvez possam ajudá-lo a rever o seu ponto de vista.”

Caracóis têm casa própria e ratos são escorraçados de todos os lugares aonde chegam.

Caracóis vivem em jardins e ratos, em esgotos.

O alimento dos caracóis está sempre ao alcance, enquanto ratos precisam caminhar horas e horas para encontrar comida.

Por isso, caracóis podem passar o dia apreciando a natureza, ao passo que ratos não podem se descuidar nem por um segundo.

E não por acaso, caracóis vivem cinco anos. 

Dois a mais que os ratos.

O rato ouviu a tudo atentamente.

Ponderou que o caracol tinha razão em tudo o que havia dito e, com uma violenta pisada, esmagou o caracol contra o chão.

Felizmente o solo era fofo o suficiente para que o caracol
sobrevivesse.

Mas ele aprendeu uma pequena lição que lhe seria útil
pelo resto da carreira.


Por mais razão que você tenha, nunca tente provar a alguém que se acha o máximo, que ele não é nada daquilo.

Porque não há negócio pior do que oferecer sabedoria a quem só pode pagar com ignorância.


Reflita e tire suas conclusões.

Eliane de Pádua