quinta-feira, 28 de junho de 2012

Alguma coisa para amar




Sempre resta alguma coisa para amar

Eu convido-vos a refletir sobre os valores que guardam em nossas almas, com esse belíssimo conto.

Na peça, uma família recebe uma pequena quantia proveniente do seguro de vida do pai.


A dona da casa vê no dinheiro a oportunidade de deixar o lugar onde vivia, e mudar-se para uma casa no campo, enfeitada com jardineiras.

A filha, uma moça muito inteligente, vê no dinheiro a oportunidade de realizar seu sonho de estudar medicina.

O filho mais velho, contudo, apresenta um argumento difícil de ser ignorado.

 Quer o dinheiro para que ele e um amigo iniciem um negócio, juntos.

Diz à família que, com o dinheiro, ele poderá trabalhar por conta própria e facilitar a vida de todos. Promete que, se puder lançar mão do dinheiro, proporcionará à família todos os confortos que a vida lhes negou.

Mesmo contra a vontade, a mãe cede aos apelos do filho.

Ela tem de admitir que as oportunidades nunca foram tão boas para ele, e que ele merece a vida boa que esse dinheiro pode lhe oferecer.

No entanto o tal "amigo" foge da cidade com o dinheiro.



Desolado, o filho é forçado a voltar para casa e dizer à família que suas esperanças para o futuro lhe foram roubadas e que seus sonhos de uma vida melhor foram desfeitos.

A irmã atira-lhe no rosto toda sorte de insultos. Qualifica-o com as palavras mais grosseiras que se possa imaginar. Seu desprezo em relação ao irmão não tem limites.


Quando ela para um pouco para respirar, a mãe a interrompe e diz: "pensei que tivesse ensinado você a amar seu irmão."



A filha então responde: "amar meu irmão? Não restou nada nele para eu amar."

E a mãe diz: "sempre sobra alguma coisa para amar. E, se você não aprendeu isso, não aprendeu nada. Você chorou por ele hoje?"

Não estou perguntando se você chorou por causa de si mesma e de nossa família, por termos perdido todo aquele dinheiro. Estou perguntando se chorou por ele: por aquilo que ele sofreu e pelas consequências que terá de enfrentar.

Filha, quando você acha que é tempo de amar alguém com mais intensidade?

 No momento em que faz coisas boas e facilita a vida de todos?

Bem, então você ainda não aprendeu nada, porque esse não é o verdadeiro momento para amar. Devemos amar quando a pessoa está se sentindo humilhada e não consegue acreditar em si mesma, porque o mundo a castigou demais.

Se julgar alguém, faça-o da forma certa, filha, da forma certa. Tenha a certeza de que você levou em conta os revezes que ele sofreu antes de chegar ao ponto em que está agora.

Essa é a graça misericordiosa! É o amor ofertado quando não se fez nada para merecê-lo. É o perdão concedido quando não se fez nada para conquista-lo.

É a dádiva que flui como as águas refrescantes de um riacho para extinguir as labaredas provocadas por palavras de condenação carregadas de ira.

O amor que o pai nos oferece é muito mais abundante e generoso. 

A misericórdia de Deus é muito mais grandiosa e sábia.


Pense nisso

Pense com o coração no que esta lição nos traz, e reflita sobre o seu amar, sobre as condições que você impõe ao outro para que o ame, e descubra a oportunidade de amar de verdade.

Por mais que as pessoas, com suas imperfeições, tragam-nos mágoa, desapontamento ou desilusão, lembremos de que sempre resta alguma coisa para amar.


Eliane de Pádua

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A faixa preta



 O judoca não se aperfeiçoa para lutar, ele luta para se aperfeiçoar!

Depois de incansáveis anos de treinamento, um disciplinado aluno de artes marciais viu-se diante do mestre para receber a faixa preta.

"Antes que lhe dê a faixa você terá de passar por outro teste", avisou o mestre.

"Estou pronto." Respondeu o aluno.

"Você precisa responder a uma pergunta essencial. Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?"

O jovem respirou fundo e disse: "Ela representa o fim de minha jornada. Será uma recompensa merecida por meu bom trabalho."

O mestre esperou um pouco.

O jovem percebeu que o professor não estava satisfeito.

O silêncio que constrangia o jovem foi quebrado por novas palavras do mestre: "Você não está pronto para receber a faixa preta. Volte daqui um ano."

Desapontado o aluno partiu.

Um ano depois, ajoelhou-se novamente na frente do mestre.

"Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?" - repetiu a pergunta o professor.

"É o símbolo da excelência e o nível mais alto que se pode atingir em nossa arte", respondeu o jovem.

O mestre permaneceu em silêncio.

O aluno percebeu que outra vez sua resposta não fora satisfatória.

Por fim, disse o professor:

"Você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano." Resignado o aluno partiu.

Um ano depois voltou a ajoelhar-se diante do mestre.

Mais uma vez foi-lhe feita a pergunta: "Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?"

O aluno respirou fundo e respondeu: "A faixa preta representa o começo. É o início de uma jornada sem fim de disciplina, trabalho e busca por um padrão cada vez mais alto."

O mestre sorriu e disse: "Agora você está pronto para receber a faixa preta e iniciar o seu trabalho."



Estamos a caminho.

Muito já percorremos.

Muito já foi vencido.

Quando olhamos para trás vemos os vales extensos.

Os rios de correnteza inclemente.

Os desfiladeiros traiçoeiros.

Pântanos sombrios.

São paisagens passadas.

Situações superadas.

Também havia na jornada campos floridos.

Praias de areia alva.

Árvores frondosas a oferecer-nos sombra e abrigo.

São paisagens passadas.



Momentos que nos enchem de saudade.

Estamos a caminho.

Quando olhamos para frente vemos cenários novos.

Grandes surpresas nos aguardam nas curvas das estradas.

Grandes dores também esperam por nós.

São tantas as trilhas que se apresentam.

Cada qual com uma característica especial.

Algumas prometem facilidades e alegrias fugazes.

Escondem armadilhas em recantos com aparência inofensiva.

Outras se mostram árduas desde o início, mas compensam os viajantes persistentes com vastos oásis de consolo e amparo.

Cada estrada apresenta riscos e prêmios.

Todas, porém, levam a um destino único.

O tempo de viagem depende da disposição de cada peregrino.

Há muito a percorrer.

Estamos, ainda, a caminho.




Eliane de Pádua

Tesouros íntimos




Se você recebesse a notícia de que a sua cidade seria destruída em poucas horas, certamente buscaria fugir o mais depressa possível.

E nesse caso, o que levaria na bagagem?

A maioria se atropelaria, em desespero, tentando salvar seus pertences mais valiosos...

Existiu um homem que se mantinha calmo nesses casos. Era o filósofo Bias, famoso por seus dotes de cultura, moral e virtude.

Era tão ponderado e íntegro que foi considerado uns dos sete sábios da Antiga Grécia.

As pessoas, vendo-o tranquilo e sereno, perguntaram se ele não iria preparar a carga que deveria levar, e ele respondeu simplesmente:

Eu trago tudo comigo.



Aquele nobre cidadão guardava consigo os patrimônios mais valiosos da retidão, bondade e inteligência, que ninguém lhe roubaria.

E eram esses valores que lhe permitiam colocar-se acima das inquietações daquela hora e das preocupações com os bens efêmeros da Terra.

Sem dúvida, somente as pessoas que constroem essas virtudes e cultivam a fé em Deus, podem permanecer tranquilas diante de qualquer situação, por mais grave que seja.

Ante a notícia, por exemplo, de uma guerra atômica, capaz de aniquilar a raça humana, muitos se desesperariam e o caos se estabeleceria em pouco tempo.

Só aquele que edificou na própria intimidade, os valores imperecíveis, manteria a calma.

Teria a certeza da Providência Divina e da sobrevivência da alma. A lógica e a razão lhe dariam a convicção de que, se tudo fosse destruído, nós continuaríamos a viver, pois somos imortais.

Estaria certo de que Deus não nos deixará ao desamparo. Se não houver condições de vida na Terra, o Senhor nos dará outro lugar para morar, pois na Sua casa, que é o Universo infinito, há muitas moradas.



O medo, a insegurança e o desejo de posse têm sido os grandes responsáveis pelo desespero e a depressão de muitas criaturas.

A insegurança, filha da falta de fé, gera uma espécie de ansiedade que facilmente conduz à depressão, infelicitando e matando a esperança.

O desejo desequilibrado de posse é um forte componente para o nascimento e a sustentação da violência e do desespero.

A vida agitada, as privações materiais, as provações morais, os conflitos de convivência familiar ou social, só serão superados com tranquilidade por aqueles que cultivam a paz na intimidade.

Esses, e somente esses, é que permanecerão serenos diante de qualquer situação, por mais grave que seja. A exemplo do filósofo Bias, dirão: Eu trago tudo comigo.

A esse estado de alma é que Jesus se referia falando dos tesouros que a traça não come nem a ferrugem corrói, e que ladrão nenhum rouba. São bens eternos e indestrutíveis.


Você é um ser criado para a eternidade. 

É como uma chama que jamais se apagará.

Procure cultivar as virtudes que o libertarão das misérias próprias da inferioridade humana.

E lembre-se sempre: 
Você é herdeiro de Deus. O Universo lhe pertence



Para conquistá-lo basta fazer a parte que lhe cabe nesta bendita escola chamada Terra, que representa um grão de areia diante do Infinito.

Por tudo isso vale a pena começar agora a cultivar os tesouros morais que nos credenciarão ao voo definitivo rumo à grande luz, rumo aos altos cimos, onde a felicidade já é uma realidade.

Pense nisso!



Eliane de Pádua


Aprender com os erros




A perfeição ainda é um estado muito distante da Humanidade.

Todos os habitantes da Terra possuem fissuras morais e cometem equívocos.

Na verdade, errar não é um escândalo, no contexto das Leis Divinas.

Deus não criou as criaturas perfeitas, mas perfectíveis.

Os Espíritos encarnam e reencarnam infinitas vezes para desenvolver as virtudes cujo potencial trazem em seu íntimo.

A fim de que cresçam em vontade, sabedoria e amor, dispõem de livre-arbítrio.

Caso não pudessem fazer opções, seriam simples marionetes.

Como podem optar, é natural que nem sempre sejam felizes em seus atos.

O outro lado desse processo de aprendizado é a responsabilidade.

Ao desenvolver a consciência e a vontade, a influência dos instintos primitivos declina e a liberdade se expande.

A criatura torna-se cada vez mais responsável por seus atos e pensamentos.

Os equívocos são naturais para quem transita da ignorância para a sabedoria.

Apenas é necessário reparar todos os estragos causados.

Justamente por isso constitui sinal de imaturidade recusar-se a admitir os próprios erros.

A humildade constitui pressuposto do aprendizado.

Quem se imagina infalível e superior a todos mantém-se estagnado.

Para entrar em sintonia com a vida, impõe-se atentar para a Lei do progresso.

O Universo todo é dinâmico.

As espécies animais e vegetais aperfeiçoam-se incessantemente.

Mesmo a configuração física da Terra não é estática.

Da mesma forma que as espécies inferiores, o homem possui um papel a desempenhar no concerto da Criação.

Ele está inserido na natureza e deve ser um agente do progresso.

Mas para impulsionar o progresso é necessário estar sempre evoluindo.

Assim, para não trair a missão de sua existência, proponha-se a ser cada vez melhor.

Admita sua imperfeição, mas não se acomode com ela.

Por vezes você erra, mas isso é normal.

Cuide para aprender com seus erros, a fim de não repeti-los inúmeras vezes.

E também assuma as consequências, boas ou más, de seus atos.

Repare todos os estragos que eventualmente causar.

Pague suas dívidas, peça desculpas, recomponha-se perante seus semelhantes.

Sem dúvida é necessário algum esforço para reconhecer um equívoco e retificar o próprio caminho.

Mas você viverá para sempre.

Certamente deseja, algum dia, ser uma pessoa sábia e pacificada.

Como ninguém fará o seu trabalho, esforce-se desde já para ser assim.

Ao se recusar a admitir um equívoco, você retarda a realização de seu luminoso destino.

Compenetre-se em seu papel de aprendiz e demonstre boa vontade para com a vida.

Não se apegue a coisas pequenas, como a vaidade e o orgulho.

Tais fissuras morais somente o infelicitam.

Aprenda a fazer o bem sem qualquer interesse pessoal ou sentimento oculto.

Ame e respeite a vida, seja nobre e solidário.

No início pode ser necessária alguma disciplina.

Mas com o tempo você incorporará esse modo de viver e será uma pessoa maravilhosa.

Eis uma meta pela qual vale a pena lutar.



Eliane de Pádua

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mudando Paradigmas




Enquanto pensamos e formulamos nossas teorias.

O mundo vai seguindo a sua marcha, sem cores definidas.

Todos os dias, a oportunidade de mudança chama pessoa por pessoa.

Cada habitante deste mundo tão vasto e convida, ora carinhosamente, através das situações.

Ora impondo a sua vontade através da dor.

E a cada um é dado segundo a sua determinação e a sua crença.

Há os que acreditam em pedras, outros em astros.

Alguns em "deuses poderosos", capazes de mudarem toda a humanidade.

E os séculos passam e fica bem claro que só o próprio homem pode mudar a sua história.

O milagre que muitos esperam cair de algum lugar existe dentro de cada um de nós.

Somos o próprio milagre, por exemplo, quando decidimos abandonar um vício.

Quando quebramos paradigmas.

Inventamos vacinas, transplantes, cirurgias, tratamentos diversos que mudam a história.

Antes carros de boi, depois foguetes.

Antes um telefone chiado, agora o 4G disparado.

O mundo passa na sua porta e chama:

- Vem participar da mudança.

- Vem ser milagre na vida de alguém.

Pelo menos na sua!

Esta noite, ao se deitar, não pare para lamentar nada.

Pense na mudança que deseja ver na sua história.

Trace novos rumos, novos caminhos.

Quebre as "verdades" que colocaram na sua cabeça, e faça a sua própria história.

O sucesso é um passo que damos além das nossas mediocridades em aceitar que não podemos isso ou aquilo.

Nós podemos!


Nós somos sementes e frutos.

Somos anjos e demônios.

Somos o milagre que se perpetua no tempo que desafiamos.

Você pode mudar tudo, ainda hoje, nesse exato momento em que decide deixar de apostar no fracasso e na incapacidade que toda vítima tem, e se torna um vencedor passando por cima das próprias fraquezas.

E pega todas as derrotas do passado e as transforma em pedras para erguer o seu sucesso.


Não desista de nada, até que tenha tentado tudo!


Eu acredito em você!


Eliane de Pádua


A civilização do futuro




Do final do século XIX aos dias atuais, houve um grande avanço tecnológico. Isso ninguém pode contestar.

O homem venceu os espaços e chegou à lua...

Construiu máquinas capazes de vencer as distâncias entre os continentes, entre as nações.

Descobriu a cura de enfermidades até então tidas como incuráveis. 

Conseguiu erradicar da face da Terra doenças que dizimavam vidas.

Embora todo o progresso tecnológico conseguido e apesar da possibilidade de comunicação instantânea, o homem não logrou sequer minimizar a saudade, preencher a solidão, acalmar a ansiedade, evitar a dor, a doença e a morte.



Conquanto a humanidade avance a passos largos na conquista de melhores condições de vida, de descobertas científicas, de aperfeiçoamento na produção de alimentos, vestuário, e outras tantas conquistas, não consegue deter a onda de violência que apavora os seres.

Não consegue erradicar o preconceito do coração do homem, a revolta dos povos vencidos, as catástrofes de toda ordem que assolam as nações.

É de nos perguntarmos: por quê?

Por que tanta miséria moral, diante de tantas conquistas intelectuais?

A resposta é simples.

Os Benfeitores da humanidade esclarecem que o progresso intelectual engendra o progresso moral, mas que o moral nem sempre o segue imediatamente.

É preciso que os povos se tornem civilizados, e não apenas povos esclarecidos.

Na busca desenfreada por melhores condições de vida, no campo material, o homem esqueceu-se de voltar sua atenção para ele mesmo, enquanto figura principal dessa engenharia toda.

São importantes as conquistas intelectuais, porque as morais devem vir depois.

Homens intelectualmente desenvolvidos, podem melhor compreender o bem e o mal e optar pelo bem. 

Basta que uma virtude brote nos corações: 

A piedade, que é o embrião da caridade.

Quando o homem se detiver diante do sofrimento alheio e lutar por solucioná-lo,  descobrirá naturalmente o caminho que o conduzirá à felicidade.


Só lograremos a nossa própria felicidade, fomentando a felicidade do próximo.

Se formos todos irmãos, não podemos admitir em sermos felizes, vendo os demais padecendo fome e frio, sem possibilidades de educação, de crescimento, de um lugar ao sol.

Numa sociedade verdadeiramente civilizada todos terão, pelo menos, o necessário para viver.

E numa sociedade moralizada todos serão amparados e, solidários, venceremos a solidão, a ansiedade, a dor...

Porque vencidas serão as distâncias que separam os seres e os infelicitam.




Você sabia:

Que a inteligência é poderoso instrumento para fomentar o progresso da humanidade? Deus quer que as pessoas inteligentes usem-na para o bem de todos e não para esmagar os mais fracos.

Que por mais inteligente que seja o homem, seu saber tem limites muito estreitos e restritos ao nosso planeta? Por esse motivo ninguém tem o direito de envaidecer-se de sua inteligência, pois a Terra representa um grão de areia diante do Universo infinito.

Eliane de Pádua