sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Livre arbítrio



 
Ninguém melhor que você pode saber o que é bom para a sua vida.

Ninguém, com suas experiências, por mais frutuosas que tenham sido, poderá ditar o que você deve ou não fazer.

Quando estiver diante de uma escolha difícil... quando seu coração disser uma coisa e a razão, acompanhada de amigos, família, namorado ou namorada, disser outra, pense bem. 

Não se deixe levar por uma coisa, nem outra.

O coração é facilmente levado por emoções e tem tendência a fazer com que percamos um pouco a nossa razão, ou a capacidade de raciocínio coerente.

 O coração é um romântico incorrigível!

Mas a razão sozinha não poderá ditar as regras da sua vida.

Nem tampouco os que convivem com você.

É preciso levar em conta a suas necessidades de bem-estar.

Fazer algo porque todo mundo acha que deve ser assim é absurdo.

É muito importante não magoar e nem decepcionar os outros, mas isso não deve ser à custa do sacrifício da própria vontade e necessidade de ser feliz.

Ninguém, por mais próximo que seja, poderá decidir o que você vai viver.

É sua vida! E você só tem essa!

É muito fácil dizer o que os outros devem ou não fazer.

Não é por que se está de fora que se vê melhor.

A verdade é que decidindo por nós as pessoas tornam-se responsáveis pelas nossas escolhas.

Mas isso pode ter certeza, não passa pela cabeça delas.

Se formos infelizes depois elas não vão dizer: "descanse, fique de fora que vou ser infeliz por você, pois a culpa foi minha."

E, para falar a verdade, mesmo se fosse o caso, isso não seria possível.

Ninguém, sofrendo nossas dores, faz com que doa menos em nós.

É digno e honesto cumprir promessas.

Mas é desonesto cumpri-las somente por dever, sem que haja um real sentimento movendo essa decisão. 

Ser honesto com os outros é muito bom.

Mas, antes, é fundamental ser honesto consigo mesmo.

Por mais doloroso que seja, por mais difícil que possa parecer, libere-se do que pensam e dizem os outros.

Pergunte-se: - o que eu quero para minha vida?

Uma coisa é certa: talvez você não saiba exatamente o que você quer, mas sabe muito bem o que não quer. 

Quando seu coração estiver brigando com sua razão, tente pensar no que vai te fazer feliz em longo prazo. 

Mas, mais importante ainda, feche seus olhos e se entregue nas Mãos d’Aquele que nos conhece antes mesmos que fôssemos nós.

Mas faça isso de verdade, com sua alma.

Ele sabe do nosso amanhã.

E Ele não vai decidir por nós, ou impor, mas vai certamente nos colocar uma luz que vai clarear nosso caminho.

E fique atento... os sinais aparecerão.

E você saberá qual o caminho escolher.

Talvez as pessoas mais próximas não entendam, se isso vier a contrariá-las.

Mas eu aprendi que na vida habitua-se a tudo. 

Todo ser humano merece respeito.

E os que te amam saberão entender.

E eu digo: tente encontrar o equilíbrio entre o que diz seu coração e a razão.

A sua escolha será certa!

Que Deus te abençoe!




Sementes para Plantar





 
Um grande rei, pai de três filhos,  precisava escolher entre um deles o seu sucessor. 

A decisão era muito difícil pois os três eram muito inteligentes e corajosos.

Além disso, eles eram trigêmeos e o rei não sabia como realizar a sua escolha. 

Por isso, procurou conselhos com um sábio do reino, que lhe deu uma idéia.

O soberano foi para casa e chamou os três filhos. Informou-lhes que necessitaria partir para uma viagem muito prolongada, mas que desejava deixar com cada um deles algo muito precioso.

Tomou de três pacotes com sementes e deu um para cada um dos filhos, com a recomendação de que eles deveriam devolvê-las, quando ele retornasse, dentro de um ou talvez, dois anos. 

Frisou que, aquele que melhor cuidasse das sementes, seria o seu sucessor.

O primeiro filho, tão logo o pai partiu, começou a pensar o que deveria fazer com aquelas sementes. Finalmente, resolveu trancá-las em um cofre, raciocinando que, quando o pai voltasse, ele devolveria as sementes como as havia recebido.

O segundo filho, observando o que fizera o irmão, pensou que se ele trancasse as sementes, elas morreriam. E sementes mortas, não são mais sementes. Por isso, foi ao mercado, vendeu as sementes e guardou o dinheiro. Assim, quando o pai voltasse, ele retornaria ao mercado e compraria sementes novas, até melhores do que as que o pai lhe houvera deixado.

O terceiro filho foi ao jardim. Olhou a imensidão da terra que circundava todo o grande palácio, e resolveu atirar as sementes por todos os lugares.

Quando o pai regressou da sua viagem, três anos depois, o primeiro filho correu ao cofre, abriu e descobriu, desolado, que as sementes estavam secas, mortas.

Triste, o pai olhou aquele pacote e disse ao filho: "são estas as sementes que dei a você? Elas tinham a possibilidade de desabrochar, de se transformar em flores e exalar um delicioso perfume. 

No entanto, agora, de nada valem. Estão mortas."

O segundo filho foi até o mercado, comprou sementes novas e, orgulhoso, foi entregá-las ao pai, que elogiou a idéia do rapaz, mas lhe disse que, de verdade, ele não fizera nada de especial.

O terceiro filho apresentou-se ao pai e lhe disse não possuir mais as sementes. Entretanto, convidou o rei para ir até o jardim, e lhe mostrou centenas de plantas crescendo, flores desabrochando por todos os lados, numa profusão de cores e de perfumes interminável.

O rei o abraçou feliz, dizendo-lhe:
"Esta é a maneira correta de proceder com as riquezas. Você é digno de ser meu sucessor."


REFLEXÃO
Todos os talentos que possuímos são como as flores. Não podem ser guardados em cofres, porque morrem, secam. Dinheiro, beleza, poder, precisa ser semeado para florescer. O que equivale a dizer, usados para gerar mais riquezas, mais beleza e proteção a todos. O amor, para dar frutos e espalhar perfumes, que a muitos beneficiem, necessita ser semeado no coração das outras pessoas. 

Todos nós temos a capacidade de transformar o deserto em que o mundo está se tornando num imenso oásis de paz, amor e beleza. 

Um lugar onde o sol, 
as estrelas, o vento 
e o mar sejam 
realmente para todos. 

Eliane de Pádua




Verdadeiras Riquezas



Todos nós temos uma riqueza,
mas nem sempre sabemos reconhecer,
nossa visão se perde em outros tesouros,
normalmente aqueles que não estão ao nosso alcance.

Ouvimos dizer que a galinha do vizinho é a mais gordo,
e quase sempre, os dons dos outros,
são sempre os melhores.

Portanto, existem os ricos em dinheiro,
que acumulam muitos bens e não podem usar de tão avarentos,
acumulam doenças que os impedem até de saborear sequer um doce,
são mais miseráveis que o mendigo que tem liberdade
para comer o pão, que por vezes recolhe entre as  sobras...

Existem os que são ricos de carinho e amor,
mas miserávelmente ciumentos e desconfiados,
que se perdem em suas próprias visões e delírios,
sendo mais pobres que o mais infeliz dos solitários.

Os ricos de cultura e conhecimento cheios de orgulho,
perdem tempo em se vangloriarem da  sua pretensa sabedoria,
e se tornam mais miseráveis que os analfabetos,
que se preocupam em dividir o pouco que sabem.

Existem os ricos de saúde que se perdem em vícios,
entregam-se a prazeres que sabidamente são venenosos,
e se tornam tão miseráveis quanto os aleijões,
que mesmo diante das dificuldades,
se movimentam sem cessar, driblando as limitações.

Descubra seus tesouros e preserve-os,
apresente-os ao mundo e divida o seu melhor,
valorize cada instante de vida,
entesoure-se de solidariedade,
seja rico em harmonia e paz,
milionário na gentileza e na amizade,
fiel companheiro e braço amigo.

Mas, por favor, tenha tempo para usufruir da sua riqueza,
entesoure-se de bondade, estenda sempre a mão,
ainda que lhe faltem dedos.

Valiosas moedas, são as moedas da gratidão não envelhecem nunca, o tempo não corrói a caridade,
a traça não come o bem realizado, e feliz daquele que é lembrado com emoção em uma oração distante,
de alguém que foi auxiliado em um momento difícil.

Esses sim, são os verdadeiros milionários da eterna Graça Divina.

"Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração."Jesus(Mateus 6:20 )
 Eliane de Pádua



Faxina do coração


Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele,
pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo.


Há algumas semanas atrás, transitando pela nossa cidade, percebi que em todas as ruas havia uma enorme quantidade de entulhos de construção, galhos de árvores, móveis velhos ou quebrados, etc...

Todos os amontoados nas portas das casas.

Foi o pronto atendimento da população ao apelo da Prefeitura para se mobilizarem na  "Semana da Faxina".

A adesão foi algo admirável!

Com aquele quadro fiquei pensando de como todos nós acumulamos, guardamos lixo, muita  coisas emprestáveis dentro de nossas casas, nos quintais...

Impressionante!

Mais impressionante ainda pelo fato de que o evento da faxina acontece todos os anos e há muitos anos.

Minha imaginação foi mais longe e pensei numa foto área de tudo aquilo. 

Lixos e mais lixos em todas as ruas fazendo com que o trabalho dos funcionários municipais, mesmo sendo tão eficiente e organizado, quase não ser cumprido na integra as datas de retiradas agendadas.

O lance da foto área me levou mais alto ainda.

Fez-me imaginar Deus olhando para o mundo e vendo o lixo que o homem acumula em seu coração.

Eles têm sido egoístas, incorretos, impuros, hipócritas, orgulhosos, arrogantes, soberbos, desprovidos de amor a Deus e ao próximo.

Todos os dias eu escuto alguém dizer:
"Está difícil!", ou 
"A vida está complicada!!" , ou então,  
"Estou empurrando a vida!"

Como está complicado o ser humano, como estão complicados os relacionamentos!
  • Quantos problemas, 
  • Quanta tristeza nos corações, 
  • Quantas pessoas deprimidas!
  • Quantas doenças!
  • Quantas situações, aos nossos olhos, sem solução!
Qual é a saída?

Deus me ensinou algo nesse dia.
  • O primeiro passo para alcançar uma vida melhor, mais frutífera é tomar uma atitude sábia: fazer uma limpeza interna, uma verdadeira faxina no nosso coração, na nossa alma.
  •  Jogar fora o ódio, a mágoa, o rancor, o desânimo, a angústia, a insatisfação...
  •  Lançar tudo isso aos pés de Jesus e Ele com certeza vai levar tudo embora, e deixar no lugar o amor, a alegria, o ânimo, a força, a vontade de viver.


Que hoje seja para todos nós o 
"Dia da Faxina do Coração".
Vamos atender ao pedido da "Prefeitura do Céu",
 limpemos nossas vidas, sejamos limpos sendo assim seremos felizes, pois a Palavra de Deus promete:

"Bem-aventurados os limpos de coração porque verão a Deus". * Mateus 5:8 *

Eliane de Pádua



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Reflexão - A Lição do Elefante


Todos nós ficamos admirados quando vamos a um circo e percebemos como os elefantes, animais grandes e fortes, se deixam dominar por uma corda.
Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de peso, tamanho e força.
Mas depois de sua atuação, e até um segundo antes de entrar em cena, o elefante permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo.
Sem dúvida alguma estaca é só um pedaço de madeira, enterrado alguns centímetros na terra.
E, ainda que a corrente seja grossa e poderosa, é óbvio que esse animal,
capaz de arrancar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade,
arrancar a estaca e fugir.

O "mistério" é evidente!
O que o mantém, então? Por que não foge?.

O elefante não escapa porque 
esta amestrado, dominado.
Se está amestrado, por que o prendem?


O elefante do circo não escapa porque tem permanecido atado à estaca desde muito, muito pequeno.Imagine o pequeno recém-nascido sujeito à estaca.
Tenho certeza de que ele puxa, força, faz de tudo pra se soltar.
Apesar de todo o esforço, não pôde libertar-se.
A estaca é certamente muito forte para ele.

Com certeza dorme esgotado e no outro dia
continua tentando, e também nos outros dias que se seguem...
Até que um dia, um terrível dia para sua história,
o animal aceita sua impotência e se conforma com seu destino.
O Elefante enorme e poderoso que vemos no circo não escapa porque crê, realmente, o pobre, que não pode.
Ele tem o registro e a recordação de sua impotência, daquela impotência que sentiu pouco depois de nascer...
E o pior é que jamais volta a questionar seriamente esse registro.
Jamais... jamais volta a colocar à prova sua força outra vez ...
E, na verdade, o mesmo acontece conosco!
Vivemos crendo que um montão de coisas "não podemos". 


Simplesmente porque, alguma vez, quando éramos crianças,
tentamos e não conseguimos.

Fazemos, então, como o elefante, 
gravamos em nossa memória:
"Não posso...
Não posso e nunca poderei..."!
Tirei esta ilustração de um site, e com base nela, pude nos comparar a este elefantinho.
Crescemos carregando essa mensagem que impusemos a nós mesmos...
e nunca mais voltamos a tentar.

Quando muito, de vez em quando, 
sentimos as correntes, fazemos soar o seu ruído, ou olhamos com o canto dos olhos a estaca e confirmamos o estigma:
 "Não posso e nunca poderei!".

A única maneira de tentar de novo é 
colocando muita coragem em nossa cabeça e  em nosso coração!
Porque muitos não conseguem romper? É os nós? 
O que poderia estar causando a paralisia emocional ou espiritual? 


Pense nisso, liberte-se!

Eliane de Pádua

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Fui Ajudá-lo Chorar


"Ainda que sejamos inábeis ao falar,
 se as nossas palavras forem ditas com amor,
 terão o poder de mover as pessoas."
Mokiti Okada



Como anda seu envolvimento com as outras pessoas?

Você é daqueles que se fecha em seus problemas, em suas dificuldades, nem sequer querendo saber se existe alguém à sua volta que precisa de ajuda?

Ou você é daquelas almas que já consegue se envolver com as dores alheias, procurando diminuí-las, ou pelo menos não deixando que alguém sofra na solidão?

Há certa passagem que pode ilustrar isso; passagem vivida pelo autor Leo Buscaglia, quando, certa vez, foi convidado a ser jurado de um concurso numa escola.

O tema da competição era: ”a criança que mais se preocupa com os outros”.

O vencedor foi um menino cujo vizinho – um senhor de mais de oitenta anos – acabara de ficar viúvo. Ao notar o velhinho no seu quintal, em lágrimas, o garoto pulou a cerca, sentou-se no seu colo e ali ficou por muito tempo.

Quando voltou para sua casa, a mãe lhe perguntou o que dissera ao pobre homem.

Nada – disse o menino – ele tinha perdido a sua mulher, e isso deve ter doído muito. 

Eu fui apenas ajudá-lo chorar...


A pureza do coração das crianças é sempre fonte de ensinamentos profundos.

Geralmente costumamos dizer que não estamos aptos a ajudar alguém, por não sermos capazes, ou porque sabemos tão pouco para consolar.

Para muitos, esta é uma posição de fuga, uma desculpa que encontramos para mascarar o egoísmo que ainda grita dentro de nossa alma, dizendo que precisamos primeiro cuidar de nós mesmos, e que os outros são menos importantes.

Para outros, isso reflete a falta de esclarecimento, pois precisamos compreender que todos temos capacidade de auxiliar.

Não nos preocupemos se não conhecemos palavras bonitas para dizer, ou se não podemos conceber uma saída miraculosa para uma dificuldade que alguém atravesse.

Nossa companhia, nosso ombro amigo, nosso dizer “estou aqui com você”, são atitudes muito importantes.

Muitas vezes, o que as pessoas precisam é de alguém para chorar ao seu lado, para estar ali, afastando o fantasma da solidão para longe, e não permitindo que os pensamentos depressivos tomem conta de seu senso.

Outras vezes, mais importante que os conselhos, que as lições de moral, é o nosso abraço apertado, nosso tempo para ouvir o desabafo de alguém.

Não precisamos ter todas as respostas e soluções dos problemas do mundo em nossas mãos, para conseguir ajudar.

Os verdadeiros heróis são aqueles que ofertam o que tem, o que sabem, e, mais do que tudo, ofertam seus sentimentos, suas lágrimas aos outros.




Reflexão:

Você sabia que não precisamos dizer “meus pêsames” às pessoas, quando enfrentam a morte de um ente querido?

  • O dicionário nos diz que a palavra “pêsame”, significa pesar pelo falecimento ou infortúnio de alguém, e assim sendo torna-se um termo muito pesado, já que aprendemos a compreender a morte, não como um desastre, um infortúnio, e sim uma passagem, uma mudança na vida daquele que parte, e daqueles que ficam.

Não nos preocupemos em ter algo para dizer. 
Um abraço fala mais do que mil palavras. 
Uma prece silenciosa é como uma brisa suave consolando os corações que passam por este momento.
Eliane de Pádua


Tenha bondade.


Lourival Lopes




A bondade atrai simpatias e aproxima as pessoas pelo coração.

Ainda que você não receba de volta o bem que fez, saiba que, no íntimo das pessoas beneficiadas, ficarão bons aromas, as boas vibrações que partiram de você.

Numa certa hora, elas colocarão esse bem na sua mão ou seguirão entregando-o para outros, fazendo-o pousar de coração em coração.

Quanto mais atos de bondade você praticar, mais se beneficiará e mais fará com que outras pessoas sejam boas também.

A bondade é semente que sempre vinga na terra dos corações.


 Não existe vento a favor para quem não sabe para onde vai ... 


Eliane de Pádua

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Universo é um Grande Pensamento


"Deus responde à prece à sua própria maneira, não à nossa."
Mahatma Gandhi



No dia 23 de novembro de 1793, em discurso na catedral de Notre Dame, em pleno coração de Paris, diante de quase 20 mil pessoas, um cientista proclamou a desnecessidade de Deus e, de forma desdenhosa entronizou a deusa razão.

Pensadores acreditavam, naqueles dias, que Deus era totalmente dispensável. 

Para a humanidade bastavam apenas a razão e o bom senso para que tudo se explicasse de maneira satisfatória.

E porque a ousadia do homem não tivesse limites, ordenou-se que fossem apagados todos os sinais de Deus, que julgava-se fossem os templos religiosos.

Num final de tarde, quando os encarregados pela destruição chegaram para botar por terra as paredes de uma das igrejas, se depararam com o velho jardineiro que cuidava das flores. Ao vê-los chegar, perguntou curioso por que estavam ali com tantas ferramentas.

Um dos indivíduos lhe respondeu com ousadia: viemos aqui para apagar, de vez, os sinais de Deus da face da Terra.

O jardineiro, olhou admirado para a turba e perguntou:
- E onde estão as escadas?

O rapaz, um tanto inquieto retrucou:
- Mas para que precisamos de escadas?

O jardineiro complementou:
- Se vocês querem apagar os sinais de Deus precisarão de uma escada. E de uma escada muito longa, a fim de que possam apagar as estrelas.



REFLEXÃO
Muitos homens, quando adentram o campo das ciências sem entendê-las em profundidade, tornam-se ateus, por acreditarem que descobriram todos os mistérios do Universo. Já os homens que penetram as ciências com humildade e vontade entender os mecanismos que regem a vida, reconhecem a necessidade lógica da existência de uma inteligência que em tudo pensa e a tudo coordena no Universo.

Um conceituado biólogo escreveu um livro fantástico que intitulou: "O homem não está só". Nesse livro cita vários motivos pelos quais ele crê em Deus.

  • Um deles é o fato de a distância que medeia entre o sol e a terra estar matematicamente calculada, o que não poderia ser obra do acaso.
Se o Sol não estivesse a 150 milhões de quilômetros da Terra, mas apenas a metade dessa distância, não haveria possibilidade de vida porque as altas temperaturas a tudo aniquilariam. E se a distância fosse 50% a mais, a vida também seria impossível devido à falta de luz e calor.

Se o movimento de rotação da Terra não tivesse sido calculado de forma eficiente, e ao invés de 1.600 quilômetro por hora, fosse 10 vezes menor, os dias e as noites teriam 120 horas e a vida seria impossível. O calor dos dias, a sombra e gelo das noites, ambos longos demais, a tudo aniquilariam.

Se os meteoros, que caem diariamente, não fossem ralados pela atmosfera, que tem 60 quilômetros, a vida na Terra seria impossível, pois os incêndios fariam tudo arder.

Esses, entre outros tantos exemplos, provam que tudo está matematicamente calculado. Há uma inteligência causal por trás de cada fenômeno da natureza. E é a essa inteligência que chamamos Deus.

Na grande marcha progressiva do homem, houve um tempo em que os cientistas acreditavam que o Universo era uma grande máquina.

Após apuradas pesquisas nas áreas da astrofísica, da biologia, da embriogenia entre outras, os homens chegaram à conclusão de que o Universos é um grande pensamento.


Não há efeito sem causa. 

Procuremos a causa de tudo o que não é obra do homem e a razão nos responderá.

  • O Universo existe e tem uma causa. Duvidar dessa causa, que é Deus, é admitir que há efeito sem causa e aceitar que o nada pôde fazer alguma coisa.
Eliane de Pádua

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Os Jardins



É comum se associar a lembrança de uma pessoa a algo que a caracterize. 

Digamos, seja seu toque pessoal.

Dia desses, ao passarmos por um jardim cheio de cores vivas, fomos surpreendidos por uma frase partida dos lábios de uma senhora: 

  • Um jardim tão bem cuidado me recorda minha avó.


A amiga que a acompanhava logo indagou do porquê.

A continuidade do diálogo, cujas frases nos chegavam com clareza, trazidas pela brisa mansa nos surpreendeu.

Minha avó, dizia, passou sua vida a plantar flores. 

Recordo-me da infância e do bangalô de minha avó. 

Quase não havia terra para plantar. 

A construção era nova e o local mais parecia um campo de batalha que as minas tivessem revolvido e deixado em total desalinho.

Pois minha avó não desanimou. 

Com pedras desenhou retângulos no solo, afofou a terra, preparou-a e plantou suas amadas roseiras. 

Jardins eram a sua marca registrada.

A senhora alongou o olhar na distância, como a revolver a saudade na terra do coração e prosseguiu:
  • Era uma pessoa excepcional minha avó. Já mais idosa, os filhos optaram por colocá-la em um apartamento. Mais segurança, diziam, menos trabalho. Afinal, eles temiam o peso dos anos naqueles ombros já não tão fortes.
  • Quando vi o apartamento, entristeci. Tinha uma varanda sim, mas nem sombra de terra, onde ela pudesse utilizar da sua mágica pessoal para transformar em um pedacinho de céu perfumado. Pensei que ela iria murchar. Imaginei-a a fenecer, como flores ao sopro do inverno rigoroso ou sob o sol escaldante do verão. Qual não foi minha surpresa ao visitá-la, alguns meses depois.
  • Levei-lhe um ramalhete de rosas multicoloridas, contando alegrar-lhe o lar.
Ela abraçou as rosas, agradeceu e seu rosto se iluminou como em êxtase.
  • São lindas, querida. E perfumadas.
Depositou-as com cuidado sobre uma mesa, tomou-me pela mão e levou-me até à varanda.

Naquele minúsculo espaço, a terra gentil permitia brotar rosas de delicado perfume e graça. 

As mãos mágicas de minha avó haviam transformado um retângulo de cimento frio em uma nesga de paraíso florido.

Suas mãos acariciaram as flores qual se o fizessem a um filho querido. 

Depois, ela me reconduziu à sala, e mostrou um troféu. 

As flores de sua varanda haviam sido eleitas as segundas mais belas de toda a cidade.

Transformar a terra inculta em um oásis de beleza ou deixá-la entregue às ervas daninhas e espinheiros é opção pessoal.

Assim nos jardins das nossas vidas. 

Podemos ser indiferentes e ociosos, relegando tudo ao descaso, nada realizando de bom, de belo, de útil. 

Ou podemos optar por semear flores de alegria, rosas de ventura. 

Quiçá apenas umas tímidas violetas de discreto perfume.

Contudo, não sejamos dos que erguem espinheiros. 

Tornemo-nos jardineiros cuidadosos a fim de que, pelas veredas por onde transitarmos, deixemos o perfume e a beleza das nossas ações.
Semeando estrelas, seremos convidados a espantar trevas.
Semeando esperanças, haveremos de nos tornar luzeiros para corações entristecidos.
Onde quer que estejamos sempre poderemos semear as luzes do amor e da esperança.


Eliane de Pádua

"A Sorte não existe; no máximo, existem circunstâncias favoráveis ou desfavoráveis. A sorte é resultado de tudo que fomos capazes de semear, enquanto a má sorte é o resultado de tudo que não fomos capazes de prever." Enzo Ferrari

Autoridade X Responsabilidade

“A adversidade ceva alguns a serem vencidos,
e outros a baterem recordes.” William Arthur Ward


Quanto pesa a responsabilidade de um cargo?
Observa-se que muitos perseguem nomeações para cargos e disputam, com ardor, lugares que lhes conferirão autoridade sobre outros.

Contudo, quando assumem postos de comando esquecem-se dos objetivos reais para os quais foram ali colocados, passando a agir em seu próprio favor.

Tal posição nos recorda a história de um homem que foi nomeado mandarim, uma espécie de conselheiro na China.

Envaidecido com a nova posição, pensou em mandar confeccionar roupas novas.
Seria um grande homem, agora.
Importante.
Um amigo lhe recomendou que buscasse um velho sábio, um alfaiate especial que sabia dar a cada cliente o corte perfeito.
Depois de cuidadosamente anotar todas as medidas do novo mandarim, o alfaiate lhe perguntou há quanto tempo ele era mandarim. A informação era importante para que ele pudesse dar o talhe perfeito à roupa.
Ora, perguntou o cliente, o que isso tem a ver com a medida do meu manto?
Paciente, o alfaiate explicou: "a informação é preciosa.
É que um mandarim recém-nomeado fica tão deslumbrado com o cargo que anda com o nariz erguido, a cabeça levantada. Nesse caso, preciso fazer a parte da frente maior que a de trás.
Depois de alguns anos, está ocupado com seu trabalho e os transtornos advindos de sua experiência. Torna-se sensato e olha para diante para ver o que vem em sua direção e o que precisa ser feito em seguida. Para esse costuro um manto de modo que fiquem igualadas as partes da frente e a de trás.
Mais tarde, sob o peso dos anos, o corpo está curvado pela idade e pelos trabalhos exaustivos, sem falar na humildade que adquiriu pela vida de esforços. É o momento de eu fazer o manto com a parte de trás mais longa.
Portanto, preciso saber há quanto tempo o senhor está no cargo para que a roupa lhe assente perfeitamente."
O homem saiu da loja pensando muito mais nos motivos que levaram seu amigo a lhe indicar aquele sábio alfaiate, e menos no manto que viera encomendar.
  •  Cargos e funções, são sempre responsabilidades que nos são oferecidas pela divindade para nosso progresso.
  • Não há motivo para vaidade, acreditando-se superior ou melhor que os outros.
Quando Pilatos assegurou a Jesus que tinha o poder de vida e morte, e que em suas mãos estava o destino de suas horas seguintes, o Mestre alertou-o dizendo: "Procurador, a autoridade de que desfrutas não é tua; foi-te concedida e poderá ser-te retirada."
De fato isso veio a acontecer.
Apenas poucos anos após a morte de Jesus, o poder de Roma retirou do procurador da Judéia, Pôncio Pilatos, toda a autoridade. Ele perdeu o cargo, o prestígio, e tudo que acreditava fosse eterno em suas mãos.

Pense nisso

Toda autoridade deve se centralizar no amor e na vida exemplar, a fim de se fazer real.

A autoridade de que nos vejamos investidos deve ser exercida sem jamais ferir a justiça.

No desempenho dos nossos deveres, recordemos que só uma autoridade é soberana: 
  • Aquela que procede de Deus, por ser a única legítima.


Eliane de Pádua