segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A Lâmpada Queimada



Era véspera de Natal. 

Em todas as casas havia intensa alegria. 

Nas ruas, era grande o movimento. 

Pessoas transitavam com pacotes, entrando e saindo de lojas cheias de compradores e vendedores ansiosos.

O homem e a mulher se aproximaram de um restaurante. 

A mulher trazia nos olhos o brilho dos que sabem compartilhar alegrias e se sentem felizes com pequenas coisas e sorria.

O homem se apresentava carrancudo. 

O rosto marcado por rugas de preocupação. 

No coração, um tanto de revolta.

Sentaram-se à mesa e, enquanto ela olhava o cardápio, procurando algo simples e gostoso para o lanche, ele começou a reclamar.

Reclamou que as coisas não estavam dando certo. 

Ele tinha investido em um determinado produto em sua loja, contando que as vendas fossem excelentes, mas não foram.

O produto não era tão atraente assim. 

Ou talvez fosse o preço. 

Enfim, o comerciante reclamava e reclamava.

De repente, ele parou de falar. 

Observou que sua esposa parecia não estar ouvindo o que ele dizia.

Em verdade, ela estava mesmo era em outra esfera.

Olhava fixamente para uma árvore de natal que enfeitava o balcão do pequeno restaurante. Sim, ela não estava interessada na sua conversa.

Ele também olhou na mesma direção e, de forma mecânica, comentou: 
A árvore está bem enfeitada, mas tem uma lâmpada queimada no meio das luzes.


É verdade, respondeu a mulher. Há uma lâmpada queimada. E você conseguiu vê-la porque está pessimista, meu amor. Não conseguiu perceber a beleza das dezenas de outras luzes coloridas que acendem e apagam, lançando reflexos no ambiente.

Assim também acontece com a nossa vida.

Você está reclamando de algo que não deu certo e se mostra triste.

Mas está esquecido das dezenas de bênçãos que brilharam durante todo o ano. 

Você está fixando seu olhar na única lâmpada que não iluminou nada.

Não há dúvida de que acharemos, no balanço das nossas vidas, diversas ocorrências que nos infelicitam. 

Podemos chegar a sentir como se o mundo ruísse sob os nossos pés.

Porém, a maior tristeza que pode se abater sobre a criatura, multiplicando dificuldades para o espírito, é o mau aproveitamento das oportunidades que Deus lhe concede, para evoluir e brilhar.



Meditemos sobre isso e descubramos as centenas de lâmpadas que brilham em nossos caminhos.

Ao lado das dores e problemas que nos atingem as vidas, numerosas são as bênçãos que nos oferece a divindade.

Apliquemo-nos no dom de ver e ouvir o que é bom, belo e positivo.


Contemplemos a noite que se estende sobre a terra e sem nos determos no seu manto escuro, descubramos no brilho das estrelas as milhares de lâmpadas que Deus posicionou no espaço para encher de luz os nossos olhos.


Acostumemo-nos a observar e a ver o bem em toda a parte a fim de que a felicidade nos alcance e possamos sentir a presença do criador, que é amor na sua expressão mais sustentando-nos as vidas.






Eliane de Pádua


sábado, 18 de novembro de 2017

Estou aguardando sua doação...



Você não viveu hoje, até que tenha feito algo para alguém que nunca poderá recompensá-lo.

Por muito tempo e por muitas ocasiões viemos adotando uma postura passiva na vida, bem no esquema “venha a nós o vosso reino”. 

E é verdade que todos devemos aprender a receber na vida. 

É sinal de abertura e humildade. 

Mas também é importante adotarmos uma postura mais ativa. 

É preciso dar, para receber. 
Pois a mão que estende para dar, é a mesma que recebe!

Doar para deixar alguém feliz, e ter nessa felicidade a recompensa.

A verdadeira felicidade vem de nossa própria capacidade de amar e trazer felicidade para o outro.

A doação é um exercício diário, ela deve beneficiar mais quem doa do que quem recebe.

Todas as pessoas que lhe pedem dinheiro ou qualquer tipo de doação são como professores que vêm lhe ensinar e lhe conceder uma oportunidade para você exercitar e praticar a generosidade.

E tenho acreditado cada vez mais que quando uma pessoa muito debilitada vem nos pedir ajuda, temos obrigação de ajudar só por termos tido a bênção de não estarmos naquela situação.


Você pode contribuir e tornar esse dia uma realidade!
Com doações a partir de R$ 50,00 você adota uma família e estará apoiando esse projeto maravilhoso.



Veja a seriedade do Projeto Natal Programado



Eliane de Pádua

Eu sou responsável por famílias, 
que precisam de minha ajuda:



Qualquer dúvida mande-me um e-mail




segunda-feira, 13 de novembro de 2017

PAI NOSSO





Pai nosso, que estás nas flores, no canto dos pássaros, no coração a pulsar; que estás na compaixão, na caridade, na paciência e no gesto de perdão.

Pai nosso, que estás em mim, que estás naquele que eu amo, naquele que me fere, naquele que busca a verdade.

Santificado seja o Teu nome por tudo o que é belo, bom, justo e gracioso.

Venha a nós o Teu reino de paz e justiça, fé e caridade, luz e amor.

Seja feita a Tua vontade, ainda que minhas rogativas prezem mais o meu orgulho do que as minhas reais necessidades.

Perdoa as minhas ofensas, os meus erros, as minhas faltas.  
Perdoa quando se torna frio meu coração;
Perdoa-me, assim como eu possa perdoar àqueles que me ofenderem, mesmo quando meu coração esteja ferido.

Não me deixes cair nas tentações dos erros, vícios e egoísmo.

E livra-me de todo o mal, de toda violência, de todo infortúnio, de toda enfermidade. 

Livra-me de toda dor, de toda mágoa e de toda desilusão.

Mas, ainda assim, quando tais dificuldades se fizerem necessárias, que eu tenha força e coragem de dizer: 

Obrigado, Pai, por mais esta lição!!!




Que assim seja!!!

Eliane de Pádua

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

CINCO DÉCADAS



Só quem atravessa ao menos cinco décadas de vida pode entender a bênção que é entrar na segunda juventude. 


Claro que antes é preciso passar pelo purgatório. 


Poucos chegam aos 50 anos sem fazer uma profunda reflexão sobre a finitude, e dá um frio na barriga, claro. 


Amedronta principalmente quem ainda não fez nem metade do que gostaria de já ter feito a essa altura. 

Será que vai dar tempo?

Passado o susto, a resposta: 
VAI. 



E se não der, não tem problema. 
Você não precisa morrer colecionando vontades não realizadas. 

Troque de vontades e siga em frente sem ruminar arrependimentos. Você finalmente atingiu o apogeu da sua juventude: é livre como nunca foi antes.


Então, não passe mais nem um dia ao lado de alguém que lhe esnoba, lhe provoca e que não se importa com seus sentimentos. 


Pare de inventar razões para manter seus infortúnios, você já fez sacrifícios suficientes, agora se permita um caminho mais fácil. 



Se ainda dá trela a fantasmas, se ainda pensa em vingancinhas ordinárias, se ainda não perdoou seus pais e seu passado, se ainda perde tempo com vaidades e ambições desmedidas, se ainda está preocupado com o que os outros pensam sobre você, está pedindo: 

Logo, logo virará um caco.
  
 


Para alcançar e merecer a segunda juventude, é preciso se desapegar de todas aquelas preocupações que havia na primeira. 

Quando essa Juventude (Parte 2) terminar, não virá a Juventude (Parte 3), mas o fim. 
 

Ou seja, esta é a última e deliciosa oportunidade de abandonar os rancores, não perder mais tempo com besteiras e dar adeus à arrogância, à petulância, à agressividade, ou seja, adeus às armas, aquelas que você usava para se defender contra inimigos imaginários. 

  


Agora ninguém mais lhe ataca, só o tempo – em vez de brigar contra ele, alie-se a ele, tome o tempo todo para si.



Eu sei que você teve problemas, e talvez ainda tenha – muitos. 


Eu também tive, talvez não tão graves, depende da perspectiva que se olha. 

Mas isso não pode nos impedir a graça de sermos joviais como nunca fomos antes. 



Lembra quando você dizia que só gostaria de voltar à adolescência se pudesse ter a cabeça que tem hoje? 

Praticamente está acontecendo.

Essa é a diferença que tem que ser comemorada.

Na primeira juventude, tudo vai acontecer.

Na segunda, está acontecendo.

Na terceira, também!

Martha Medeiros



 
Eliane de Pádua

domingo, 20 de agosto de 2017

QUANDO OS ANOS DOBRAM



Eu recordo... 
(falava a senhora, no círculo de amigas, como ela era.)

Impetuosa, falava sem pensar.

Dizia o que vinha à cabeça e achava que era dona do mundo.

Caprichosa, queria as coisas do seu jeito e gritava, e exigia, sem parar.

Meticulosa, atinha-se a mínimos detalhes.

Arrumava o quadro que estivesse um milímetro torto na parede, arrumava o enfeite sobre a mesa.

Entrava em casa e seus olhos procuravam algo que estivesse fora do lugar, para ela ter o prazer de colocar no lugar.

E reclamar de quem não o colocara exatamente como ela desejava.

Seu armário de roupas era impecável.

Todas as roupas alinhadas, divididas por estação, por cores.

Ela podia procurar uma roupa no escuro e a encontrar.

Mas, ai de quem ousasse mexer no seu armário.

Ela tinha a capacidade de saber se alguém sequer abrira o armário.

E era motivo para uma grande discussão.

Tinha os livros em uma grande biblioteca.


Separados por autor.
Por assunto.
Tudo em absoluta ordem alfabética, para facilitar a busca.


Naturalmente, ninguém podia tocar nos livros a não ser que ela apanhasse a obra e a entregasse em mãos.

E as recomendações eram inúmeras.

"Cuidado com a capa. Não amasse. Lave bem as mãos antes de abrir o livro."

Sim, ela era assim.

Nada do que qualquer pessoa fizesse era suficientemente bom para ela.

Ela fazia a limpeza da casa, porque ninguém fazia como ela.

E consumia as horas em ordenar, alinhar, agrupar, ajustar.

Para tudo ficar sempre impecável.

Um brinco.

O tempo passou.

E descobriu que ela estava errada em muitas coisas.

Quando sua irmã partiu, bruscamente, levada por um acidente de carro, sentiu o coração despedaçar.

Então, olhando a casa vazia da sua presença, perguntava de que valia tudo estar em ordem, impecável?

Ela daria tudo para que ela estivesse ali, e entrasse e bagunçasse os seus livros, a sua louça, as suas coisas.

Queria vê-la abrir seu armário e escolher uma roupa para vestir, retirando da ordem tanta coisa que estava ali, parada, sem uso.

Depois, partiu seu irmão, sua mãe.

Um a um, eles se foram.

E, a cada partida, ela foi descobrindo que o bom é se tivesse a casa para as pessoas entrarem e se sentirem bem.

Viverem, sem serem sufocadas.

Descobriu que mais importante do que tudo, aquelas presenças agora ausentes é que davam mesmo sentido à sua vida.


E, então, ela mudou.

Ainda gosta sim, das coisas arrumadas, em ordem.

Mas, sem exageros.

Seus sobrinhos entram em sua casa e brincam.

E pulam, sentindo-se à vontade.

Senta-se com eles no chão para folhear os livros, ler histórias, olhar gravuras.

E enquanto estão lendo, comem pipocas, chocolates.

Tomam suco.

Como é bom saborear histórias com alguém ávido de curiosidade.

Mesmo que tenha os dedinhos sujos de chocolate ou engordurados pela pipoca.

Seu armário de roupas já não anda tão intocável assim.

As sobrinhas adoram procurar algo diferente para usar.

Nem que seja para o baile à fantasia com suas amigas.

Aprendeu a aceitar o trabalho alheio e respeitá-lo, agradecendo.

As horas que passaria encerando, limpando, lustrando, lavando, ela dedica às crianças, aos jovens, aos seus amores.

Sim, ela mudou muito.

A vida lhe ensinou.



Pena que ela tenha precisado receber tantos recados de perdas, para poder aprender.

Poderia ter sido muito mais feliz, desde há muito tempo.

Agradece a Deus, no entanto, ter acordado a tempo de ainda desfrutar muitas alegrias, na Terra.

Sinceramente espero que ninguém precise passar por isso para aprender.

Que essa história sirva de lição para nós que estamos envelhecendo. 







Eliane de Pádua




sábado, 19 de agosto de 2017

O SILÊNCIO

  DOS LOBOS

Pense em alguém poderoso.



Essa pessoa briga e grita como uma galinha ou olha em calmo silêncio, como um lobo?

Os Lobos não gritam.
Eles têm uma aura de força e poder.
Observam em silêncio.


Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.

Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.

Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.

Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.

Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia e continua a trabalhar mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.

Olhe...
Sorria...
Silencie...
Vá em frente.

Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. 


Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.

Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) ideia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques.

Não é verdade.

Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir.

Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.



Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.

Você pode escolher o silêncio.

Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar:

"ARREPENDO-ME DE COISAS QUE DISSE, MAS JAMAIS DE MEU SILÊNCIO".


Responda com o silêncio, quando for necessário.



Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais, use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não ter que responder em alguns momentos.


Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.

E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.


Eliane de Pádua

domingo, 6 de agosto de 2017

PORTA DA VIDA


Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto. 



Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, na qual haviam gravadas figuras de caveiras.

Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:
– Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros, ou passarem por aquela porta e por eu lá serem trancados.



Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos pelos arqueiros.



Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, disse-lhe:

– Senhor, eu posso lhe fazer uma pergunta?
– Diga soldado.
– O que havia por trás da assustadora porta?
– Vá e veja.


O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que à medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, até que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo à liberdade.


O soldado admirado apenas olha seu rei que diz:

Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar abrir esta porta.



PENSE NISSO:
Quantas portas nós deixamos de abrir pelo medo de arriscar?

Quantas vezes perdemos a liberdade, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?


Eliane de Pádua
"Algumas pessoas vivem tanto em função da sua "dor" ou das suas "mágoas" que se forem curadas morrem!"