segunda-feira, 4 de setembro de 2017

CINCO DÉCADAS



Só quem atravessa ao menos cinco décadas de vida pode entender a bênção que é entrar na segunda juventude. 


Claro que antes é preciso passar pelo purgatório. 


Poucos chegam aos 50 anos sem fazer uma profunda reflexão sobre a finitude, e dá um frio na barriga, claro. 


Amedronta principalmente quem ainda não fez nem metade do que gostaria de já ter feito a essa altura. 

Será que vai dar tempo?

Passado o susto, a resposta: 
VAI. 



E se não der, não tem problema. 
Você não precisa morrer colecionando vontades não realizadas. 

Troque de vontades e siga em frente sem ruminar arrependimentos. Você finalmente atingiu o apogeu da sua juventude: é livre como nunca foi antes.


Então, não passe mais nem um dia ao lado de alguém que lhe esnoba, lhe provoca e que não se importa com seus sentimentos. 


Pare de inventar razões para manter seus infortúnios, você já fez sacrifícios suficientes, agora se permita um caminho mais fácil. 



Se ainda dá trela a fantasmas, se ainda pensa em vingancinhas ordinárias, se ainda não perdoou seus pais e seu passado, se ainda perde tempo com vaidades e ambições desmedidas, se ainda está preocupado com o que os outros pensam sobre você, está pedindo: 

Logo, logo virará um caco.
  
 


Para alcançar e merecer a segunda juventude, é preciso se desapegar de todas aquelas preocupações que havia na primeira. 

Quando essa Juventude (Parte 2) terminar, não virá a Juventude (Parte 3), mas o fim. 
 

Ou seja, esta é a última e deliciosa oportunidade de abandonar os rancores, não perder mais tempo com besteiras e dar adeus à arrogância, à petulância, à agressividade, ou seja, adeus às armas, aquelas que você usava para se defender contra inimigos imaginários. 

  


Agora ninguém mais lhe ataca, só o tempo – em vez de brigar contra ele, alie-se a ele, tome o tempo todo para si.



Eu sei que você teve problemas, e talvez ainda tenha – muitos. 


Eu também tive, talvez não tão graves, depende da perspectiva que se olha. 

Mas isso não pode nos impedir a graça de sermos joviais como nunca fomos antes. 



Lembra quando você dizia que só gostaria de voltar à adolescência se pudesse ter a cabeça que tem hoje? 

Praticamente está acontecendo.

Essa é a diferença que tem que ser comemorada.

Na primeira juventude, tudo vai acontecer.

Na segunda, está acontecendo.

Na terceira, também!

Martha Medeiros



 
Eliane de Pádua

domingo, 20 de agosto de 2017

QUANDO OS ANOS DOBRAM



Eu recordo... 
(falava a senhora, no círculo de amigas, como ela era.)

Impetuosa, falava sem pensar.

Dizia o que vinha à cabeça e achava que era dona do mundo.

Caprichosa, queria as coisas do seu jeito e gritava, e exigia, sem parar.

Meticulosa, atinha-se a mínimos detalhes.

Arrumava o quadro que estivesse um milímetro torto na parede, arrumava o enfeite sobre a mesa.

Entrava em casa e seus olhos procuravam algo que estivesse fora do lugar, para ela ter o prazer de colocar no lugar.

E reclamar de quem não o colocara exatamente como ela desejava.

Seu armário de roupas era impecável.

Todas as roupas alinhadas, divididas por estação, por cores.

Ela podia procurar uma roupa no escuro e a encontrar.

Mas, ai de quem ousasse mexer no seu armário.

Ela tinha a capacidade de saber se alguém sequer abrira o armário.

E era motivo para uma grande discussão.

Tinha os livros em uma grande biblioteca.


Separados por autor.
Por assunto.
Tudo em absoluta ordem alfabética, para facilitar a busca.


Naturalmente, ninguém podia tocar nos livros a não ser que ela apanhasse a obra e a entregasse em mãos.

E as recomendações eram inúmeras.

"Cuidado com a capa. Não amasse. Lave bem as mãos antes de abrir o livro."

Sim, ela era assim.

Nada do que qualquer pessoa fizesse era suficientemente bom para ela.

Ela fazia a limpeza da casa, porque ninguém fazia como ela.

E consumia as horas em ordenar, alinhar, agrupar, ajustar.

Para tudo ficar sempre impecável.

Um brinco.

O tempo passou.

E descobriu que ela estava errada em muitas coisas.

Quando sua irmã partiu, bruscamente, levada por um acidente de carro, sentiu o coração despedaçar.

Então, olhando a casa vazia da sua presença, perguntava de que valia tudo estar em ordem, impecável?

Ela daria tudo para que ela estivesse ali, e entrasse e bagunçasse os seus livros, a sua louça, as suas coisas.

Queria vê-la abrir seu armário e escolher uma roupa para vestir, retirando da ordem tanta coisa que estava ali, parada, sem uso.

Depois, partiu seu irmão, sua mãe.

Um a um, eles se foram.

E, a cada partida, ela foi descobrindo que o bom é se tivesse a casa para as pessoas entrarem e se sentirem bem.

Viverem, sem serem sufocadas.

Descobriu que mais importante do que tudo, aquelas presenças agora ausentes é que davam mesmo sentido à sua vida.


E, então, ela mudou.

Ainda gosta sim, das coisas arrumadas, em ordem.

Mas, sem exageros.

Seus sobrinhos entram em sua casa e brincam.

E pulam, sentindo-se à vontade.

Senta-se com eles no chão para folhear os livros, ler histórias, olhar gravuras.

E enquanto estão lendo, comem pipocas, chocolates.

Tomam suco.

Como é bom saborear histórias com alguém ávido de curiosidade.

Mesmo que tenha os dedinhos sujos de chocolate ou engordurados pela pipoca.

Seu armário de roupas já não anda tão intocável assim.

As sobrinhas adoram procurar algo diferente para usar.

Nem que seja para o baile à fantasia com suas amigas.

Aprendeu a aceitar o trabalho alheio e respeitá-lo, agradecendo.

As horas que passaria encerando, limpando, lustrando, lavando, ela dedica às crianças, aos jovens, aos seus amores.

Sim, ela mudou muito.

A vida lhe ensinou.



Pena que ela tenha precisado receber tantos recados de perdas, para poder aprender.

Poderia ter sido muito mais feliz, desde há muito tempo.

Agradece a Deus, no entanto, ter acordado a tempo de ainda desfrutar muitas alegrias, na Terra.

Sinceramente espero que ninguém precise passar por isso para aprender.

Que essa história sirva de lição para nós que estamos envelhecendo. 







Eliane de Pádua




sábado, 19 de agosto de 2017

O SILÊNCIO

  DOS LOBOS

Pense em alguém poderoso.



Essa pessoa briga e grita como uma galinha ou olha em calmo silêncio, como um lobo?

Os Lobos não gritam.
Eles têm uma aura de força e poder.
Observam em silêncio.


Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.

Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.

Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.

Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.

Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia e continua a trabalhar mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.

Olhe...
Sorria...
Silencie...
Vá em frente.

Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. 


Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.

Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) ideia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques.

Não é verdade.

Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir.

Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.



Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.

Você pode escolher o silêncio.

Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar:

"ARREPENDO-ME DE COISAS QUE DISSE, MAS JAMAIS DE MEU SILÊNCIO".


Responda com o silêncio, quando for necessário.



Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais, use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não ter que responder em alguns momentos.


Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.

E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.


Eliane de Pádua

domingo, 6 de agosto de 2017

PORTA DA VIDA


Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto. 



Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, na qual haviam gravadas figuras de caveiras.

Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:
– Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros, ou passarem por aquela porta e por eu lá serem trancados.



Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos pelos arqueiros.



Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, disse-lhe:

– Senhor, eu posso lhe fazer uma pergunta?
– Diga soldado.
– O que havia por trás da assustadora porta?
– Vá e veja.


O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que à medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, até que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo à liberdade.


O soldado admirado apenas olha seu rei que diz:

Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar abrir esta porta.



PENSE NISSO:
Quantas portas nós deixamos de abrir pelo medo de arriscar?

Quantas vezes perdemos a liberdade, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?


Eliane de Pádua
"Algumas pessoas vivem tanto em função da sua "dor" ou das suas "mágoas" que se forem curadas morrem!"


domingo, 30 de julho de 2017

FILHO PREDILETO

Resultado de imagem para filho de Deus



Certa vez perguntou a uma mãe qual era seu filho preferido, aquele que ela mais amava.

E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu:

"Nada é mais volúvel que um coração de mãe. 

E, como mãe, lhe respondo o filho predileto, aquele a quem eu dedico de corpo e alma:


É o meu filho doente, até que sare. 

O que partiu, até que volte.

O que está cansado, até que descanse.

O que está com fome, até que se alimente.

O que está com sede, até que beba.

O que estuda, até que aprenda.

O que está com frio, até que se agasalhe.

O que não trabalha, até que se empregue.

O que namora, até que se case.

O que casa, até que conviva.

O que é pai, até que os crie.

O que prometeu, até que se cumpra.

O que deve, até que pague.

O que chora, até que cale.



E já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:
O que já me deixou... até que o reencontre!






Eliane de Pádua




(Erma Bombeck)

O ESPELHO



Renato quase não viu a senhora, com o carro parado à beira da estrada. 

Chovia muito e já era noite.

Mas percebeu que ela precisava de ajuda.

Assim parou o seu carro e aproximou-se. 

O carro dela cheirava a tinta, de tão novinho. 

A senhora pensou que pudesse ser um bandido. 

Ele não parecia seguro, parecia pobre e faminto.

Renato percebeu que ela estava com muito medo e disse:
"Eu estou aqui para ajudar, senhora, não se preocupe. Por que não espera no carro onde está quentinho? A propósito, meu nome é Renato".


Bem, tudo que o ela tinha era um pneu furado, mas para uma senhora de idade avançada era bastante ruim.

Imagem relacionada

Renato abaixou-se, colocou o macaco e levantou o carro.

Logo ele já trocou o pneu. 

Mas ficou um tanto sujo e ainda feriu uma das mãos.

Enquanto apertava as porcas da roda, ela abriu a janela e começou a conversar com ele.

Contou que era de São Paulo, que só estava de passagem por ali e que não sabia como agradecer pela preciosa ajuda.

Renato apenas sorriu enquanto se levantava.

Ela perguntou quanto devia.

Já tinha imaginado todas as terríveis coisas que poderiam ter acontecido se Renato não tivesse parado e ajudado.

 Renato não pensava em dinheiro.

Gostava de ajudar as pessoas.

Este era seu modo de viver.

E respondeu: 
"Se realmente quiser pagar-me, da próxima vez que encontrar alguém que precise de ajuda, dê para aquela pessoa a ajuda de que ela precisar e lembre-se de mim".

Alguns quilômetros depois, a senhora parou num pequeno restaurante simples.

Imagem relacionada

A empregada veio e trouxe-lhe uma toalha limpa para secar o cabelo molhado e dirigiu-lhe um doce sorriso.

A senhora notou que ela estava com quase de oito meses de gravidez, mas ela não deixou a tensão e as dores mudarem a sua atitude.



A senhora ficou curiosa em saber como alguém que tinha tão pouco, podia tratar tão bem um estranho.

Então se lembrou de Renato.

Depois de terminar a sua refeição, e enquanto a menina foi buscar o troco, a senhora retirou-se.

Quando a menina voltou queria saber onde a senhora teria ido, quando viu algo escrito no guardanapo, sob o qual tinha 4 notas de 100,00 euros.

Correram-lhe as lágrimas, quando leu o que a senhora escreveu.

Dizia:
- Você não me deve nada, eu já tenho o bastante. Alguém me ajudou hoje e da mesma forma estou ajudando. Se você realmente quiser reembolsar-me por este dinheiro, não deixe este círculo de amor terminar com você, ajude alguém.


Aquela noite, quando foi para casa cansada e se deitou na cama, o seu marido já estava dormindo e ela ficou pensando no dinheiro e no que a senhora deixou escrito.

Como pôde aquela senhora saber o quanto ela e o marido precisavam disto? 


Com o bebé que estava para nascer no próximo mês, como estava difícil.

Imagem relacionada

Ficou pensando na bênção que havia recebido, deu um grande sorriso.

Agradeceu a Deus e virou-se para o preocupado marido que dormia ao lado, deu-lhe um beijo macio e sussurrou:
- Tudo ficará bem, eu te amo... RENATO!


A VIDA É ASSIM.
UM ESPELHO.

TUDO QUE VOCÊ TRANSMITE, VOLTA PARA VOCÊ!



Eliane de Pádua


sábado, 29 de julho de 2017

MUNDO INTERIOR




Em uma cidade chamada Mundo Interior, situada em um país chamado Coração, todos viviam amedrontados por terríveis monstros. 
Monstros que devoravam os filhos por causa das faltas dos pais. Monstros que destruíam famílias por conta dos pecados dos filhos. Monstros que devoravam almas e roubavam esperanças de todos.

Todos, sem exceção, em algum momento da vida, já foram atacados por esses monstros. 

Eles não poupam nem crianças, nem adultos; nem jovens, nem velhos; nem homens, nem mulheres; nem pobres, nem ricos. 

Esses monstros dilaceravam o coração das vítimas e as mutilavam de tal forma que elas não tinham mais alegria em viver. 

Todos não mais saíam de casa, viviam trancafiados em seu próprio mundinho, isolados e com medo de enfrentar a vida lá fora, tudo por causa do medo que sentiam de encarar esses monstros…

Evitava-se até de falar deles e, quando alguém ousava, os outros logo fechavam os ouvidos para não escutarem nada.

Mas um dia, o sábio chegou ao Mundo Interior como destemido guerreiro. 

Mas, ao invés de espada, trazia consigo uma caneta em uma das mãos; ao invés de escudo, uma caderneta; no lugar de uma armadura suntuosa, apenas o conhecimento.

— É verdade que o senhor veio aqui para acabar com nossos monstros? – perguntou alguém na multidão.

O sábio guerreiro nada respondeu.

— Como o senhor fará isso? – continuou o mesmo alguém – onde estão suas armas? E os seus soldados?

O sábio guerreiro olhou para a multidão e num ar de serenidade, perguntou:
— Quais são seus monstros?



Todos, um a um, foram se aproximando do sábio e contaram como eram esses monstros, quando começaram a surgir e como eles se sentiam com relação a tudo isso. 

O sábio anotou tudo em sua caderneta.

Por fim, depois que o último terminou, o sábio sentou no banco da praça e ele ficou em silêncio alguns instantes. 

De repente, alguém da multidão rompe o silêncio com uma pergunta:
— E aí, o senhor pode eliminar de vez todos esses monstros?

O sábio guerreiro permaneceu ainda mais uns poucos segundos em silêncio, contemplando o rosto apreensivo da multidão, e por fim respondeu:

— Não, esses monstros eu não posso exorcizá-los definitivamente…

A multidão em coro faz barulho de decepção.

— Mas nós temos muitas armas e munição e bastante dinheiro… diga qual é o seu preço que nós pagaremos – diz alguém.

— Eu nada posso fazer, mas vocês podem. Esses monstros não se combatem com armas ou com dinheiro. Embora esses monstros não possam ser extintos definitivamente de suas vidas porque sempre voltarão na menor oportunidade que vocês derem para eles, vocês podem combatê-los, não com armas, mas com palavras, pois eles têm nomes: 
Depressão, Fobia, Trauma, Estresse, Ansiedade, Angústia… esses monstros só se combatem com o diálogo. 
Eu não posso eliminá-los definitivamente de suas vidas, mas vocês podem aprender a conviver com eles, basta exercitar a arte da conversa, não guardar seus problemas para si, mas desabafá-los uns com os outros e, principalmente, exercitar a arte de ouvir.

Não consta que esses monstros tenham deixado de assombrar o Mundo Interior de alguém, mas consta que, depois que se seguiu o conselho do sábio os ataques dos monstros se tornaram mais brandos e muito menos frequentes.


Aprenda a colher os frutos de sua imaginação, pense positivo!

Eliane de Pádua




Sergio Gleiston






sexta-feira, 21 de julho de 2017

ERÓTICA É A ALMA

"Para todos nós, que amadurecemos 
lindamente sem rugas na alma!"

Todos vamos envelhecer...
Querendo ou não, iremos todos envelhecer.


As pernas irão pesar a coluna doer, o colesterol aumentar.

A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos.

A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos.

O segredo não é reformar por fora.



É, acima de tudo, renovar a mobília interior:
Tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente.

Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior.

E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar.

Erótica é a alma que se diverte que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história.



Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos.

Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios.

Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo.

Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores.

Aprenda:
 
Bisturi algum vai dar conta do buraco 
de uma alma negligenciada anos a fio.


de Adélia Prado




Eliane de Pádua