domingo, 11 de novembro de 2012

A Verdadeira Beleza


Estamos vivendo um tempo em que a beleza física é a grande preocupação. 


Prolifera o número de academias de ginástica para a malhação, aumenta o número de clínicas de estética.

As artistas são questionadas a respeito dos seus segredos para manterem-se belas, jovens e de corpo perfeito.

Observa-se que as adolescentes em especial buscam o mundo da moda, desejam se tornar modelos, não medindo esforços para isso.





Em nome da beleza física, homens e mulheres se submetem aos tratamentos mais diversos, internam-se em clínicas especializadas, passam finais de semana em locais de repouso.

E cada um tem a sua fórmula especial, o seu segredo de beleza:





Alimentação balanceada, beber muita água, comer frutas e vegetais, tomar sol em horas certas, cremes, massagens, terapias com ervas, banhos, etc.

Uma das grandes atrizes do cinema americano, a belga Audrey Hepburn, que marcou sua presença nas telas vivendo a adolescente espirituosa e sofisticada, quando indagada a respeito, sintetizou em dez itens as suas dicas de beleza.

Primeiro:
se desejar lábios atraentes, fale palavras de ternura.


Segundo:
Se pretender ter olhos encantadores, procure ver sempre o lado positivo das pessoas.


Terceiro
Para uma silhueta esguia, compartilhe a sua comida com aquele que tem fome.


Quarto 
Para cabelos bonitos, deixe uma criança passar os dedos entre eles uma vez ao dia.


Quinto
Para a postura, caminhe com sabedoria, pois você nunca andará só.


Sexto 
Nunca despreze ninguém. Muito mais do que as coisas, as pessoas devem ser restauradas, revividas, requisitadas, perdoadas.


Sétimo 
- lembre que se um dia precisar de uma mão amiga, você a encontrará na extremidade de cada um dos seus braços. Na medida em que você for envelhecendo, descobrirá que tem duas mãos - uma para ajudar a você, a outra para ajudar os outros.


Oitavo 
- a beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, na imagem que ela carrega ou no penteado de seus cabelos.



A beleza
 de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, pois esta é a porta de entrada para o seu coração, o lugar onde o amor reside.


Nono
- a beleza de uma mulher não está num tipo de rosto, mas a verdadeira beleza numa mulher está refletida na sua alma, no carinho que ela cuidadosamente dá, na paixão que ela mostra.


E, finalmente, o décimo
e último item a beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos.



A verdadeira beleza reside além da imagem física, que é sempre passageira. A verdadeira beleza é a do espírito que se irradia pelo semblante, iluminando os olhos, adoçando os gestos, modulando a voz.





A verdadeira beleza resiste ao tempo, ao passar dos anos e se expressa na meiguice do olhar, na serenidade da face, no carinho dos gestos.

A verdadeira beleza é imortal.





Eliane de Pádua

sábado, 10 de novembro de 2012

Nunca deixe de sonhar




Ao chegar a este mundo, trazemos os olhos cheios de simplicidade e de uma alegria ingênua, contagiante...

Nessa época de infância, despreocupada e leve, quantos sonhos carregamos! 

A imaginação corre livre. 

Não há limites para a mente fértil. 

Tudo é possível.

Mas crescemos. 

E a vida vai se encarregando de apagar um pouco do brilho dos nossos olhos.

Ouvimos tantas vezes a palavra "não" que, aos poucos, nos revestimos de uma cautela exagerada. 



Passamos a ter medo de ousar ir além, de transpor até mesmo pequeninos limites.

Devagar, muito lentamente, passamos a colocar cada vez mais freios na alma, a exercer autocensura, a matar a imaginação.

Antes de sonhar, repreendemos a nós mesmos: 
"Ah, isso não é possível!" Ou "Isso não vai dar certo." 

E nem nos permitimos imaginar algo novo e ousado.

Mas, pensemos, vale a pena viver de forma tão metódica? 

Com cada passo contado? 

Com os sonhos reprimidos?

A resposta é não. 

Não vale a pena sufocar os sonhos, que podem ser a ponte para uma vida mais feliz e plena.

Um sonhador é alguém que não se acomoda. 

Está sempre buscando algo de bom, de novo, de diferente. 


É um idealista, um lutador.

Observe que não estamos falando de pessoas rebeldes, daquelas que desejam apenas quebrar regras como forma de provocação.

Falamos de pessoas que aspiram viver em um mundo mais justo, abençoado por gestos de fraternidade e cheio de ética, alegria e paz.

Você lembra quando John Lennon cantou que era um sonhador, mas que não era o único?
 


Na música "Imagine", ele imaginava um planeta livre de preconceitos religiosos, sem que as fronteiras dos países impedissem os homens de ser irmãos.

Pois é. 

O que Lennon queria mesmo era que mais sonhadores se juntassem a ele, para que o Mundo fosse um só, muito mais unido, mais solidário e amoroso.

Vamos atender a esse convite?

Sim, porque atender a esse chamado de irmandade é também aderir à mensagem de grandes líderes religiosos, de filósofos, de homens de bem.

Lembremos que a Humanidade caminha porque há quem sonhe. 

Inventores, cientistas, sacerdotes, pensadores em geral são grandes sonhadores.

Gandhi sonhou que a independência da Índia seria conquistada sem violência. 


E conseguiu dobrar o poderoso império britânico, sem pegar em armas. 

Apenas com gestos de amor, com seriedade e com uma vontade férrea.

São homens como esse os verdadeiros sonhadores. 

Não aguardam sentados. 

Não se deixam abater. 


Não permitem que o pessimismo alheio os contamine.

 

Sonhadores movem o Mundo, a partir de ideais que eles tornam realidade. 

Os seus são sonhos de bem-estar, de fraternidade, de gestos amorosos.

Permita-se, você também, sonhar coisas belas, buscar mudanças positivas. 

Toque as estrelas com as pontas dos dedos. 


Sonhe.

Sonhe, sim. 

Todos os dias, todas as horas. 

E tente fazer seus sonhos se materializarem, para mudar o Mundo para melhor.

Eliane de Pádua 

O Sol Real





Certa vez um pai, muito sensível, percebeu que uma de suas filhas estava sofrendo e lhe perguntou o que estava acontecendo com ela.

A garota respondeu que havia sido criticada pelas amigas por ser uma pessoa simples, não gostar de ostentação e por não ter preocupação excessiva com a estética.

Ela estava se sentindo rejeitada e triste.

O pai, grande educador, percebendo o sofrimento da filha, disse-lhe, com carinho: 


"Filha, algumas pessoas preferem um bonito sol pintado num quadro, outras preferem um sol real, ainda que esteja coberto pelas nuvens."

 

Em seguida perguntou-lhe: 

"Qual é o sol que você prefere?"

Ela pensou um instante e respondeu: 

"O sol real."

E o pai completou: 
"Mesmo que as pessoas não acreditem no seu sol, ele está brilhando. Você tem luz própria. Um dia, as nuvens que o encobrem se dissiparão e as pessoas irão enxergá-lo. Não tenha medo das críticas dos outros, tenha medo de perder a sua luz."

Muitos jovens se sentem reféns da opinião dos outros, e sofrem muito quando são criticados, pois seu desejo mais ardente é ser aceito pelos colegas.


Um fato, também muito corriqueiro na vida dos jovens, e que nem todos conseguem superar, é a rejeição.

O desprezo, a indiferença, os comentários maldosos, são geradores de muitos dissabores na alma juvenil, quando os pais descuidam da orientação e atenção adequadas.

O jovem, ainda imaturo e inseguro, diante de uma situação de grande estresse pode enveredar pelo caminho das drogas, da depressão, da degenerescência moral.


 Por isso se faz importante a atenção dos pais, nesses dias em que as nuvens pairam sobre os corações juvenis, obscurecendo-lhes o sol interior.

Ensine ao seu filho a arte de construir a própria felicidade, ainda que tudo pareça conspirar contra.

Mostre a ele que o que os amigos pensam dele ou deixam de pensar, não intensificará a sua luz interior, nem a diminuirá.

 

Diga-lhe que o que faz a diferença é o que ele realmente sente e é.

Ensine seu filho a não se escravizar ao consumismo atormentado, à neurose de buscar a beleza física a qualquer custo, a não depender da opinião dos outros para ser feliz.
 
Ensine ao seu filho que a verdadeira beleza está na alma, e não numa silhueta bem definida.

Diga-lhe que a beleza física é passageira, como as flores de um dia, e que o Espírito é o ser imortal que sobrevive à matéria e transcende o tempo.
 


"Mesmo que as pessoas não acreditem no seu sol, ele está brilhando. Você tem luz própria. Um dia, as nuvens que o encobrem se dissiparão e as pessoas irão enxergá-lo. Não tenha medo das críticas dos outros, tenha medo de perder a sua luz."

Acredite nessa verdade, e ajuste o olhar do seu filho para que ele também possa ver em si mesmo um sol real brilhando, mesmo que, por vezes, esteja encoberto pelas nuvens.

Pense nisso, e, se guardar algum tipo de medo, que seja o de perder a própria luz.


 Eliane de Pádua


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Câmaras de


Vigilância interna




Cada vez mais o mundo externo está sendo vigiado.

São sistemas de vigilância nos estabelecimentos comerciais e residenciais; são câmeras que apontam para vários lugares públicos, ruas, estradas.

Com a facilidade e popularização da tecnologia, muitos têm acesso fácil a uma filmadora, uma webcam, uma máquina fotográfica digital.

Nunca o mundo exterior foi tão documentado, acompanhado, espreitado de perto.

Acompanhamos diariamente todos os acontecimentos no mundo através de imagens reais, cinegrafistas amadores, telefones celulares que registram tudo.

Nada mais escapa.



Principalmente, é claro, as desgraças, as fofocas, as notícias sensacionalistas, isto é: tudo aquilo que "vende". 

Somos a geração do "espiar a vida dos outros", em reality shows que expõem a vida íntima das pessoas - e que, obviamente, são pagos para se expor.

A geração que tem as pessoas, o mundo e seus acontecimentos nas mãos, mas que se esqueceu de si mesma.

Há plena vigilância externa, e escassez de observação interior.

A tecnologia não tem culpa alguma.


A mídia, em si, não tem responsabilidade alguma.

Quem opera e direciona o uso da tecnologia é o homem.

Quem alimenta as mídias é a própria população. 

Vê-se claramente assim, que tudo isso é apenas uma manifestação moderna, de condutas viciosas antigas do ser humano.

Muito mais fácil e confortável observar as janelas do vizinho, do que ter que enfrentar um espelho.

Muito mais simples se envolver nos problemas alheios, que não nos dizem respeito, do que facear as tribulações domésticas, as dúvidas íntimas, as procuras e dificuldades da alma.

Fuga.





Eis mais uma das maneiras que encontramos de fugir de nós mesmos, de escapar de nossos verdadeiros objetivos, de nossos embates prioritários.

A natureza e as leis da vida são, porém, implacáveis e respondem imediatamente.

Nenhuma ação humana, individual ou coletiva, fica sem resposta ou sem consequências a serem provadas.

Assim, já podemos verificar os efeitos disso em diferentes esferas da vida social, mas principalmente na intimidade do Espírito encarnado na Terra.

Vazio existencial, depressão, fobias, desestruturação fisiológica, e um sem número de distúrbios outros que convencionamos chamar de "psicológicos".

É a resposta da natureza para os excessos, de um lado, e para a falta de cuidado consigo mesmo, de outro lado.

Ao invés de nos ocuparmos tanto com a vida dos outros, com a vigilância do mundo, deveríamos investir nossas energias na observância interna.

Instalar câmeras de vigilância, de observação, de monitoramento interior, cuidando de nossos pensamentos, de nossas ações, de nossos próprios passos.




É uma proposta ancestralíssima de conhecer-se, de notar os sentimentos, de onde eles vêm, quando e por que os temos.

É a higiene da alma, que nos proporciona acompanhar nosso crescimento de perto, que nos faculta traçar objetivos espirituais e ter condições de monitorá-los, de segui-los com proximidade.

Imaginemos que possamos ter câmeras que filmam nossas ações e que nos proporcionam poder voltar a vê-las mais tarde, na posição de espectador atencioso e desejoso de se conhecer melhor.

Filmadoras internas da consciência, que registram, sem cortes, todas as cenas vividas em cada dia.

E que depois nos mostram o que podemos melhorar o que fizemos de certo e de errado.

Instalemos câmeras de vigilância interna, já!



* * *

"E os homens se vão a contemplar os topos das montanhas, as vastas ondas do mar, as amplas correntes dos rios, a imensidão do oceano, o curso dos astros, e não pensam em si mesmos..."



Eliane de Pádua

Tudo Mudou



Nascemos nos anos 30, 40 e 50...

Foi barra para mudar todos os conceitos de várias gerações.

Faz apenas 50 anos que apareceu a televisão, o chuveiro elétrico, a declaração dos direitos humanos e a revista Playboy. 

Casar era pra sempre, sustentar filhos era somente até quando eles conseguissem emprego, as certezas duravam a vida toda e os homens eram os primeiros a serem servidos à mesa do jantar.

As avós eram umas velhinhas, hoje, essas mulheres de 40 ou 50 anos viraram um "mulherão". 

Todos nos vestimos como nossos filhos. 

Não existem mais velhos como antigamente. 

Essa foi uma geração que mudou tudo.

Culpa da guerra, da pílula, da Internet, da globalização, do muro de Berlim, da televisão e da tecnologia.

Até morrer ficou diferente. 

Na minha rua havia um velhinho que morria aos poucos. 

Ele ficou uns dez anos morrendo e isto aconteceu logo depois de completar 57 anos. 

Hoje se morre com 80 ou aos 90 e é um vapt-vupt. 

Com a pílula, a mulher teve os filhos que quis e ela sempre quis poucos. 

Como os maridos não conseguiam mais sustentar uma família, as mulheres foram à luta e saíram para poder pagar a comida congelada, a luz e o telefone. 

Se a coisa não vai bem:  É fácil a separação, difícil é a pensão. 

Na realidade, as mães são solteiras com doze anos. 

Depois serão chefes de família, com muitos filhos de muitos pais. 

Em 50 anos tiraram a filosofia da educação básica, e como o pensamento era reprimido pela revolução, tudo virou libertação. 

Pedagogia da libertação, Teologia da libertação, Psicologia da libertação.

Deu no que deu.

Burrice liberada.

Burrice eleita. 

Para as pessoas de mais de 50 anos, palhaço era o Carequinha. 


Hoje o povo inteiro é meio palhaço, meio pateta. 

Ladrão era o Meneghetti e o Bandido da Luz Vermelha; hoje os ladrões tomaram conta dos palácios, da Câmara Federal e de uma cidade que não existia, chamada Brasília. 

Ângela Guadagnin dançaria só na zona do baixo meretrício. 

Presidente da República... Ah esse era alfabetizado. 


Experiência com feijão e arroz germinando a gente fazia na escola primária, fiz muitas vezes na aula de ciência, e não em voo espacial, pago a 12 milhões de dólares. 



Movimento social era reunião dançante. 

Dia da mentira não era data nacional. 

Piercing quem usava era índio botocudo. 

Tatuagem era criminoso do bas fond. 

Mansão do lago era algo de filme de terror e não lugar onde ministro divide dinheiro. 

Caseiro não era mais ético do que ministro. 

Quadrilha era dança junina e não razão de existir de partido político. 

O Clube dos Cafajestes eram uns inofensivos playboys cariocas e não um País inteiro. 

As pessoas de mais de 50 estão assim meio tontas, mas vão levando. 


Fumaram e deixaram de fumar. 

Beberam whisky com muito gelo, hoje tomam água mineral. 

Foram marxistas até descobrir quem eram Harpo, Chico e Groucho, e que o marxismo é um grande engodo. 

Ninguém tem mais certeza de mais nada e a única música dos Beatles a tocar é "Help". 

Para Brasil, que os caras de mais de 50 anos querem descer!!! 

Ao ler esta mensagem dá um aperto no coração só de pensar que tudo isso é verdade. E é a verdade mesmo!

Que a nossa realidade está de fazer vergonha! 


E o pior, será que alguém sabe o que é "vergonha"?

Nós, os mais de 50 anos sabemos muito bem...



Eliane de Pádua

O Construtor de gente




O economista participava de um debate, em que se discutia o desemprego e, após um engenheiro falar sobre a contribuição da construção civil na demanda por mão de obra, o mediador, entre irônico e sério, fez a seguinte afirmação-pergunta:

"Os professores não constroem pontes; logo, o que eles podem fazer para ajudar a diminuir o desemprego?" 


Sem tempo para pensar, o hábil polemista respondeu, também entre irônico e sério:


"Realmente um professor não constrói pontes, não levanta edifícios, não pilota aviões, não cura doentes... Essas atividades tão visíveis e responsáveis por tantos empregos”. 


E continuou:


O professor se contenta com algo mais simples: 
Ele prefere construir o engenheiro que levanta as paredes, instruir o comandante que faz o avião voar, formar o médico que cura, e ensinar os jornalistas a fazerem perguntas embaraçosas. 


O professor não constrói coisas: 
Ele “constrói” as pessoas que fazem as coisas, ou pelo menos ajuda as pessoas a construírem a si próprias.


Dizia Immanuel Kant que: o homem é a única criatura que precisa ser educada e a educação é a arte de formar os homens; isto é, desenvolver neles simultaneamente as faculdades físicas, intelectuais e morais. 


Os animais são resultado de uma fatalidade biológica; mas o homem, conquanto tenha sua porção animal, por sua biologia, é um ser dotado de propósito consciente. 

Nesse sentido, o animal-homem é uma entidade ética, capaz de construir, mudar e aperfeiçoar seu pensamento, sua conduta e suas atitudes. 

Ortega y Gasset dizia que: 

A vida nos é dada, mas não nos é dada pronta.


O homem carrega, para além da sua fatalidade biológica, a responsabilidade de desenvolver o seu projeto de vida de acordo com sua livre escolha entre as várias opções que lhe são oferecidas para buscar a sua felicidade. 

Aí está o papel do professor, que não constrói pontes, mas que ajuda o homem a desenvolver a si mesmo, a moldar sua ação e erigir seu edifício intelecto-moral. 


O professor é um transmissor do seu saber, que deve deixar ao aprendiz o papel de escolher e construir a sua própria obra. 

É na modéstia do seu propósito que o professor tem a nobreza da sua missão. 

E vale a pena lembrar a poesia do biólogo chileno Humberto Maturana, feita para um professor do seu filho, que inibia o desabrochar da criatividade da criança querendo impor-lhe um modelo rígido. 

A poesia, denominada



Prece do Estudante


Não me imponha o que você sabe;  quero explorar o desconhecido,  e ser a origem das minhas próprias descobertas.  
Que o seu saber seja minha liberdade, não minha escravidão.  
O mundo de sua verdade pode ser minha limitação;  sua sabedoria, minha negação.  
Não me instrua; vamos caminhar juntos.  
Deixe que minha riqueza comece onde a sua termina. 
Mostre-se a mim, de maneira que eu possa subir em cima dos seus ombros, e ver mais longe. 
Revele-se para que eu possa ser  alguma coisa diferente. 
Você crê que todo ser humano pode amar e criar; 
Compreendo, por isso, seu medo,  quando lhe peço que me deixe viver de acordo com minha sabedoria. 
Você nunca saberá quem eu sou se escutar apenas a si mesmo. 
Não me instrua; deixe-me ser; 
seu fracasso é que eu seja idêntico a você. 


REFLEXÃO:

A educação é uma arte particular, que exige vocações muito particulares; exige qualidades morais que não são dadas a todos os homens, tais como sabedoria, firmeza, paciência, vontade e força para dominar as próprias paixões; 

Exige profundo conhecimento do coração e da psicologia do ser humano, além do conhecimento dos meios mais apropriados para desenvolver no aluno as faculdades físicas, intelectuais e morais necessárias ao seu crescimento. 


A educação é uma arte que precisa ser estudada, do que resulta que o professor é ele próprio, um eterno aprendiz.



Eliane de Pádua